O controle da fala
Quando se fala em austeridade
mental, pensa-se imediatamente nas longas meditações que levam ao controle do
pensamento, e que são coroadas pelo silêncio interior. Esse aspecto da
disciplina ióguica é conhecido demais para que ainda seja necessário
estender-se sobre o assunto. Mas há um outro, com o qual as pessoas geralmente
se preocupam menos: é o controle da fala. Com raríssimas exceções, só o
silêncio absoluto é contraposto à livre tagarelice. No entanto, há uma
austeridade muito maior e mais fecunda no controle da fala do que em sua
abolição.
Na terra, o homem é o primeiro
animal capaz de servir-se de sons articulados. Ele é muito orgulhoso disso,
aliás, e utiliza essa capacidade sem medida nem discernimento. O mundo está ensurdecido
pelo ruído de suas palavras, e às vezes se é tentado a lastimar o silêncio
harmonioso do reino vegetal.
É, aliás, um fato bem conhecido
que quanto menor o poder mental, mais é necessário o uso da palavra. Assim, há
pessoas primitivas e sem instrução que não conseguem pensar coisa alguma a
menos que falem. Podemos ouvi-las resmungando em voz mais ou menos baixa.
Porque este é seu único meio de seguir um pensamento que não se formularia
nelas sem as palavras pronunciadas.
Há também um grande número de
pessoas, mesmo entre as que receberam instrução, mas cujo poder mental é fraco,
que só sabem o que querem dizer à medida que o dizem. Isso torna suas conversas
intermináveis e tediosas. Pois à medida que falam, seu pensamento se torna mais
claro e mais preciso, e assim elas são obrigadas a repetir a mesma coisa várias
vezes, a fim de dizê-las cada vez mais exatamente.
